Leonardo Cordeiro: de cabeça fria

O atual campeão da Seletiva de Kart Petrobras acredita que não há uma receita para conquistar o maior prêmio do kartismo brasileiro – neste ano mais uma vez no valor de R$ 100 mil. Mas não tem dúvidas de que o primeiro passo é chegar à final de cabeça fria. “Na decisão, o psicológico conta muito”, afirma. Não só na decisão. Leonardo Cordeiro chegou à final de 2009 porque soube manter a calma em momentos difíceis durante a primeira etapa classificatória: trocou de motor duas vezes, largou atrás nas duas corridas, mas mesmo assim conseguiu atingir seu objetivo. Tranquilidade. É a mesma estratégia que traçou para buscar o prêmio pelo segundo ano consecutivo. O que pode ser decisivo para o futuro.
 
Como você está aplicando o prêmio de 2008?
Eu estou com o objetivo de correr na Europa, mas a crise atrapalhou algumas conversas adiantadas com patrocinadores, então faltou um pouco de verba para 2009. Ainda estou considerando uma série de possibilidades, mas falando em 2010 penso não só na Europa, mas também nos Estados Unidos, porque já estarei com 20 anos.
 
Foi aí que surgiu a idéia de tentar fazer mais uma Seletiva?
Sem dúvida... É o único prêmio do kartismo, um incentivo que a Petrobras dá para ajudar no início da carreira, então enquanto puder vou tentar, sim. São R$ 100 mil a mais no orçamento. Além do destaque de estar entre os melhores do Brasil. Sem contar que andar de kart me ajuda em diversas partes, como o preparo físico e psicológico.
 
No ano passado você conquistou a vaga na última etapa, agora na primeira...
Dá um alívio muito grande. Eu estava até olhando as etapas no site, pensando que no ano passado eu fiz quase todas e só consegui me classificar na última. Foi coisa de Deus, mesmo. Esse ano repeti o que já havia conseguido em temporadas anteriores, me garantindo na decisão logo no começo. É melhor pensando na preparação.
 
Você chega com maiores chances por ser o atual campeão?
Não tem receita pronta. Todos os que estão na final se dedicam muito, é o evento mais difícil do kartismo, você precisa estar no lugar certo, na hora certa. Tem pilotos muito bons lá e a sorte também conta. Ano passado eu mesmo tive bastante sorte. Posso dizer que eu estava no momento exato de conquistar o prêmio. Então, é difícil falar.
 
Mas a experiência ajuda, não?
Ajuda muito, mas os pilotos mais novos também estão chegando com muita força, é só pegar o ano passado. O (Gabriel) Navarrete estava muito bem, com uma cabeça muito boa, assim como o Nicolas Costa. Na final, o psicológico conta muito. Se o garoto mais novo está com a cabeça fria, pode superar o mais experiente.
 
E por falar em psicológico a etapa classificatória não foi nada fácil...
É, eu tive um problema sério de motor. Me lembrou o ano passado, quando eu fiz a pole e fui desclassificado por falta de peso, larguei em último e perdi a vaga. Desta vez, como troquei para as duas corridas, perdi cinco posições no grid nas duas. Na primeira, não pude fazer muito, o motor era fraco demais. Mas na outra mantive a cabeça no lugar e conquistei a vaga.