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Rafael
Daniel: tricampeão da Seletiva quer correr na Stock Car Light
Aos
21 anos de idade, o piloto paulista Rafael Daniel acredita que encerrou
um ciclo de sua carreira com o terceiro título consecutivo
na Seletiva de Kart Petrobras, conquistado no ano passado. Depois
de muito empenho, está bem perto de deixar o kart para fazer
sua estréia no automobilismo, competindo na Stock Car Light.
Foi o caminho que ele encontrou para alcançar mais rapidamente
o profissionalismo. Sua batalha para conseguir um lugar na categoria
de base do campeonato mais importante do Brasil foi facilitada pelos
prêmios conquistados na Seletiva de Kart Petrobras. "Juntei
o dinheiro das duas últimas temporadas para correr na Stock
Car Light", confessa. Para os mais jovens, faz questão
de dizer que não existe segredo na final da Seletiva. "Você
só precisa fazer o melhor possível", afirma Rafael
Daniel. E ele fez. Por três anos consecutivos.
O
que representa para um piloto vencer a Seletiva de Kart Petrobras?
RAFAEL DANIEL: Ser campeão
da Seletiva ajuda muito e traz um grande reconhecimento, principalmente
por ser uma competição que coloca os pilotos em igualdade
de condições. Nos outros campeonatos, sempre tem gente
que investe mais e conta com equipamentos melhores, aí não
dá para fazer milagre. O legal da Seletiva é dar chance
para todos os pilotos. Você só precisa fazer o melhor
possível, porque os karts são iguais e não
podemos mexer no acerto.
O
que mudou na sua carreira depois do terceiro título consecutivo
na Seletiva de Kart Petrobras?
RAFAEL DANIEL: Foi mais um incentivo
para a minha carreira. Queria ter saído do kart há
dois anos, logo depois de ganhar o prêmio pela primeira vez,
mas não consegui. Acho que finalmente chegou a hora. Tenho
conversas muitas bem encaminhadas para estrear neste ano na Stock
Car Light. Já fiz um teste com o carro da categoria no ano
passado, me adaptei bem e fui até procurado por outras equipes.
Ainda falta uma parte da verba para disputar o campeonato completo,
mas estou aplicando tudo o que posso para atingir meu objetivo,
incluindo o prêmio acumulado das últimas duas temporadas
na Seletiva de Kart Petrobras.
Qual
o motivo da sua opção por correr em carros de Turismo
e não com monopostos?
RAFAEL DANIEL: Eu sempre quis
correr de monoposto, queria disputar o campeonato da Fórmula
Renault, tentei por dois anos seguidos, mas nunca consegui o orçamento
necessário. O tempo foi passando, estou com 21 anos e quero
seguir uma carreira profissional. A Stock Car Light parece ser o
caminho mais rápido para o profissionalismo e estou apostando
nisso. Além de custar praticamente o mesmo que a Fórmula
Renault é um campeonato que tem boa visibilidade e que atrai
cada vez mais patrocinadores.
Você
está pulando do kart direto para a Stock Car Light. Quais
as maiores dificuldades encontradas no seu primeiro contato com
o carro?
RAFAEL DANIEL: A diferença
é grande, mas não tive nenhum problema. Claro que
é uma situação completamente nova, tenho que
me acostumar com o câmbio e também com o campo de visão
do carro, que é muito menor. Mesmo assim consegui bons tempos
no treino.
Se
conseguir disputar a temporada da Stock Car Light, você pretende
abandonar definitivamente o kart?
RAFAEL DANIEL: Só estou
pensando em conseguir correr na Stock Car Light. Para mim não
há outra possibilidade, não tenho mais nenhuma motivação
para continuar no kart. Não posso mais disputar a Seletiva
de Kart Petrobras por estar acima do limite de idade (21 anos) e
também não tenho mais pique para entrar em competições
como o Campeonato Paulista, que exige muita dedicação
e um investimento alto. O objetivo é mesmo correr apenas
na Stock Car Light, mas de vez em quando quero participar de algumas
provas de kart, sem a obrigação de conseguir resultados.
Talvez até faça um Campeonato Brasileiro, porque fui
vice-campeão quatro vezes e queria muito conquistar esse
título.
O
alto custo dos campeonatos de kart está atrapalhando o progresso
da carreira dos pilotos?
RAFAEL DANIEL: O kart é
um esporte naturalmente muito caro, mas os valores que estamos vendo
ultimamente são resultado da competitividade. Uma temporada
simples não custa tanto dinheiro. Só que o piloto
precisa acompanhar seus adversários e quem tem mais verba
compra três motores, tem vários jogos de pneus, peças
importadas, um monte de coisa. Se você não conseguir
acompanhar os investimentos, não ganha corridas. Mas é
assim em todas as categorias. O que o kart precisa é encontrar
uma forma de compensar tanto investimento. Os campeonatos nacionais
não oferecem nada aos campeões, nem prêmio em
dinheiro, nem isenção de inscrição para
o ano seguinte. O máximo que você ganha é um
troféu. A Seletiva de Kart Petrobras serve de exemplo para
os demais promotores, por demonstrar preocupação com
o nosso futuro. Deveria ser assim nas outras competições.
Das
quatro finais que você disputou na Seletiva de Kart Petrobras,
qual foi a mais difícil? E a mais surpreendente?
RAFAEL DANIEL: A mais difícil
foi a de 2002, quando eu conquistei meu primeiro título.
Disputei o prêmio com o Ruben Carrapatoso, que foi campeão
mundial e chegou a correr de monoposto no exterior. Foi uma batalha
o tempo todo, mas consegui a ultrapassagem sobre ele nas três
voltas finais e ganhei a Seletiva pela primeira vez. A mais surpreendente
foi a do ano passado. Quando parei para pensar, não conseguia
acreditar que tudo tinha dado tão certo: foi minha terceira
conquista, invicto e ainda por cima com uma bateria de antecipação.
Agora todo mundo me pergunta qual o segredo para ficar com o prêmio,
mas sinceramente não sei dizer. A gente não pode mexer
em nada, tem que sentar lá e guiar. Foi só o que eu
fiz.
Você
já havia disputado uma decisão antes do primeiro título.
Faz diferença ter experiência numa final anterior da
Seletiva de Kart Petrobras?
RAFAEL DANIEL: Faz muita! Na
minha primeira participação também poderia
ter vencido, fui muito bem (acabou em terceiro), mas faltou experiência.
Na prova final, se eu conseguisse manter a minha posição,
seria campeão. Só que eu ainda não sabia muito
bem como funcionava a competição, tentei ganhar uma
posição, me dei mal, acabei caindo para último
e perdi o prêmio por apenas dois pontos. Aquela final me ensinou
muita coisa que eu usei nos anos seguintes para ganhar. Passei a
procurar onde eu poderia ser melhor do que os outros, apesar dos
equipamentos iguais. Acabei descobrindo que o ideal é ter
tranqüilidade e não querer andar mais do que é
possível.
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